Netinho competeichon ae
Oi, gente, estou trazendo o primeiro capítulo em primeira mão pra vocês. Eu falei na Balbúrdia sobre postar no fim de semana porque estou em internet discada e é mais barato. Mas não ficou pronto então eu to postando de madrugada.
Agradeço mesmo a todos os comentários, e os meus comentários estão no final do capítulo. Agora, com carinho, a história dos Plus Rangers.
Capítulo um
Colcha de retalhos
Já era fim de tarde quando o ônibus chegou na rodoviária e os passageiros começaram a descer. Todos os dias vários ônibus iguais àquele chegam naquela estação. Todos os dias vários viajantes fazem aquele caminho. Quem ousaria dizer que entre todas essas pessoas havia umas mais importantes que outras? Quem ousaria dizer que umas deveriam ser privilegiadas e, caso houvesse um acidente, a sorte divina protegesse alguns enquanto outros pudessem ser descartados? Muitos ousariam.
Mas para nós não interessam todos esses ônibus e viajantes. Essa cena apenas é relevante por causa de duas pessoas, não menos nem mais importantes que as outras.
Bruno e Thiago desceram no Rio de Janeiro e pegaram um táxi até o hotel.
- Quando você ouve falar nem imagina que é tudo isso o que dizem! – Thiago comentou sobre a cidade em algum momento, enquanto alisava seus bigodes.
- É, mas nós não viemos aqui fazer turismo. – respondeu Bruno.
- Credo, como você tá tenso...
- Só quero que você não esqueça o que nós viemos fazer.
- Eu não tô esquecendo, só tô tentando relaxar.
Bruno não respondeu.
Os dois deveriam ter entre vinte e trinta anos. Thiago era moreno e tinha a pele bronzeada. O cabelo de Bruno era castanho escuro. Eles aparentavam ser pessoas normais.
O quarto que dividiriam no hotel era simples. Nele havia duas camas, uma mesa de cabeceira e a pintura de uma fazenda pendurada na parede branca. Eles deixaram as malas em um canto.
- Vai olhando o mapa. – disse Bruno – Vou tomar um banho.
- Não é melhor a gente descansar agora e fazer isso amanhã?
- Tá... mas vamos ver isso amanhã cedo.
Na manhã seguinte fizeram o planejamento e saíram.
Bruno chegou de ônibus a um bairro aparentemente tranqüilo de classe média. Não teve muita dificuldade em encontrar o que estava procurando. Lá estava, bem visível, uma loja não muito grande, rosa. Estava pintado de branco na parede: “Floricultura Ester”. Algumas flores também foram pintadas. A entrada era grande e dava pra ver todo o interior da loja por dentro. Bruno entrou.
Havia uma mulher em um balcão ao fundo. Como era de se esperar, era um lugar cheio de flores.
- Thaís, venha aqui! – a mulher do balcão gritou.
Uma jovem mais ou menos da mesma idade de Bruno veio de uma porta no fundo da loja. Ela era branca e seus cabelos ondulados estavam num tom entre loiros e castanhos. Quando ela passou pelo balcão a mulher lhe disse alguma coisa num tom ríspido. Thaís ignorou-a e caminhou sorrindo na direção de Bruno.
- Bom dia, o que deseja?
Ele não teve dúvidas. Desde que a viu entrando pela porta sabia que era ela. Era impossível não ter reconhecido. E o que parecia mais impossível ainda se concretizou: ela não o reconheceu. Mesmo que já soubesse que seria assim, ele não estava preparado para chegar ali e receber um sorriso cordial dado a um estranho. E a parte mais difícil acabara de chegar.
- Bom dia. Eu queria ver um buquê para a minha... mãe.
- Sua mãe? De que flores ela gosta?
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Thiago chegou, também de ônibus e caminhando um pedaço a pé, a uma rua movimentada, cheia de pequenos comércios. Entre eles havia um barzinho amarelo. Ao entrar, ele logo localizou quem estava procurando. Uma garota que parecia um pouco mais velha que ele. Era morena e seus cabelos estavam presos em um rabo de cavalo. Estava de pé em frente a uma mesa, anotando os pedidos. Thiago foi em sua direção, mas uma garçonete o interrompeu.
- Não quer se sentar?
- Não, não... – disse, sem tirar os olhos da garota – Eu quero falar com ela.
A garçonete virou-se para ver de quem ele estava falando. Pareceu se aborrecer. Então se voltou para ele.
- Ela está trabalhando agora, volte mais tarde.
- Não vou atrapalhar, é rápido.
Ele avançou rapidamente, sem esperar a resposta. Aproximou-se da garota, que agora estava descansando em uma cadeira próxima ao balcão.
- Lannah, minha nega! – disse ele, abrindo os braços.
A reação dela foi de espanto. Depois de uns rápidos instantes ela disse:
- Primeiro, meu nome é Gabriela. Segundo, não sei quem é você pra falar desse jeito comigo.
Thiago ficou perplexo. Já havia chegado ali informado sobre como iria ser, mesmo assim se surpreendeu ao vê-la falando desse jeito com ele. Então tentou consertar a situação.
- Desculpa, eu achei que fosse outra pessoa...
- Tá, tudo bem.
Ela parou de olhar para ele. Mas ele não se mexeu. Não podia simplesmente ir embora. Precisava terminar o que havia começado.
- Eu tô querendo trazer um grupo de amigos aqui amanhã.
- Que bom. – respondeu ela, sem dar muita atenção.
Depois de uma pausa ele perguntou:
- Você vai estar aqui amanhã?
Ela olhou por um instante para ele, a testa franzida.
- O que você quer comigo?
Eles ficaram se encarando em silêncio por um momento. Então Thiago disse:
- Um amigo meu... ele está gostando de você.
- Um amigo seu? – ela franziu a testa ainda mais – Ele me conhece de onde?
- Eu... não sei.
Nesse momento alguém chamou a garota e ela foi atender. Thiago decidiu ir embora.
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Eles saíram do metrô e caminharam um pouco até onde ele morava. Ambos deveriam ter menos de 20 anos. Um deles era notavelmente mais estranho que o outro. Tinha o olhar parado e inexpressivo. Parecia ser perturbado.
Enquanto Tobi parecia ter tido o psicológico afetado, Daniel-Kun estava numa ansiedade que não o deixava ficar quieto. Olhava para todos os lados a todo o momento. Se precisassem ficar parados, se contorcia ou andava de um lado para o outro. Reclamou o tempo todo do ar poluído da cidade e de seu aspecto cinzento. Quando estavam esperando o porteiro verificar se eles podiam entrar, se perguntou se o gordo ia largar eles esperando lá fora o dia todo.
Enfim eles entraram no residencial. Havia um pátio amplo, e nele, várias residências idênticas distribuídas de modo regular. Eram casas grandes. Daniel guiou Tobi até uma pintada de cinza. Tocou a campainha e pouco depois eles foram recebidos por um homem grande num roupão preto. Ele tinha a cabeça raspada e deveria ter mais de trinta anos. Sua expressão era de satisfação. Ele deixou-os entrar e fechou a porta.
- É, você conseguiu. – disse ele.
- É claro que eu consegui. É mais fácil que tirar doce de nenenzinho. – respondeu Daniel.
- Você... – disse Tobi observando o homem. Então a compreensão estampou-se no seu rosto – Asa Preta!
O homem se aborreceu.
- Não é mais isso daí. Agora é Afro Wings.
- Asa Preta! Asa Preta! – Tobi começou a rir. Seu riso era estranho, artificial.
- Não sabia que seu apelido era Asa Preta!
- Kun, fica quieto...
Uma voz veio do interior.
- Ele chegou, Wings?
- Eles chegaram. – respondeu ele.
Um homem de cabelos um pouco ondulados, negros e volumosos, vestindo um casaco estiloso preto por cima de uma calça preta apareceu descendo as escadas.
- Oi. – disse ele.
Tobi e Daniel responderam ao cumprimento.
- Wings, minhas tintas estão acabando.
- Tem coisas mais importantes para serem resolvidas. – disse Wings.
- O que, por exemplo?
- É claro que eu não vou dizer pra você, um simples capanga.
- Eu não sou seu capanga. Só estou aqui por causa de alguns interesses meus.
- Que pena que é assim, porque eu até gosto de você.
O recém-chegado pareceu repudiar a idéia de Wings gostar dele. Então se dirigiu a Tobi e Daniel.
- Venham, vou mostrar seus quartos.
Os dois seguiram-no em silêncio.
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Thiago e Bruno se encontraram no restaurante perto do hotel na hora do almoço, como combinado. Serviram seus pratos e, após pesá-los, sentaram-se em uma mesa perto da saída.
- Essa comida é boa. – comentou Bruno.
Thiago concordou.
- E essas flores? – perguntou Thiago, se referindo ao buquê que Bruno deixou na cadeira ao lado.
- Tive que comprar.
Pouco depois Bruno perguntou:
- Como foi lá?
- Podia ter sido melhor.
- Também acho.
Após uma pausa em que só se podia ouvir o barulho dos talheres e da mastigação, além dos ruídos do ambiente ao redor, Thiago disse:
- A gente devia decidir o que vai falar antes de sair.
Bruno riu. Estava mais relaxado. Ele perguntou:
- Não conseguiu improvisar?
- Como se fosse fácil...
- O que você disse a ela?
- Nada de mais.
- Mas ela vai estar lá amanhã?
- Ah, droga, não sei.
- Então você não resolveu nada...
- Ela não vai ser demitida do dia pra noite.
Pouco depois eles estariam saindo novamente.
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Thiago levou bastante tempo para chegar ao local indicado. Não era muito acessível. Era bem afastado da cidade, em uma área com poucas construções. Um ótimo lugar para quem gosta de viver escondido.
Não era exagero o que lhe falaram: a propriedade era mesmo enorme. Um muro alto e branco com detalhes azuis a circulava inteira. Ele nunca esteve lá, ao contrário de Bruno, por isso estava muito curioso para saber como era por dentro.
Levou um tempo até encontrar a única entrada. Os suntuosos portões estavam entreabertos, de modo que ele simplesmente afastou um pouco e entrou.
A primeira coisa que viu foram árvores. Na verdade a única coisa que viu foram árvores. Thiago caminhou por um tempo enorme. Ele estava sem relógio, mas sua impressão foi de que passara horas andando. Finalmente, encostou-se ao pé de uma árvore, e, ofegante, admitiu pra si mesmo que estava perdido naquela floresta particular.
Ficou ali parado, atento ao seu redor. Não lhe parecia que havia animais vivendo ali. Nenhuma dessas árvores deveria dar frutos comestíveis. Eram relativamente altas e de copas densas.
Então ele notou que lá longe havia uma figura branca que decididamente não era uma árvore. Thiago se levantou e seguiu naquela direção. A figura foi ficando mais visível. Era uma casa. Uma casa enorme. Enfim ele chegou bem próximo da casa, onde já não havia mais árvores e era possível ver o céu. O sol estava próximo de se pôr.
- Você está me procurando?
Thiago virou-se ao ouvir uma voz às suas costas. Reconheceu imediatamente. Alto, os cabelos negros e encaracolados. Ele estava sorrindo.
- Ainda bem que você veio. – disse o homem.
- Então você sabe...?
- Eu não sei nada.
Thiago estudou-o por uns segundos. O homem provavelmente devia tê-lo visto em fotos.
- Seu nome é Rodrigo e você não faz idéia do que era a sua vida antes de três meses atrás.
Após uma pausa, ele disse:
- Acertou. O que eu tenho que fazer?
- Vá amanhã nesse endereço às sete da noite.
Thiago pegou um papel do bolso e entregou-o a Rodrigo. Ele recebeu em silêncio e leu-o atentamente.
- Tem um jeito mais fácil de achar a saída? – perguntou Thiago.
- Vai por aqui em linha reta.
Rodrigo apontou um caminho. Thiago agradeceu e foi embora.
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Bruno chegou ao restaurante e logo constatou que Will não trabalhava mais lá. Ninguém sabia notícias dele. Viera ninguém sabe de onde, trabalhara por pouco tempo, depois dissera que ia se mudar e não poderia mais vir ali. Ninguém sabia para onde ele ia, mas parecia que ia sair da cidade.
- Você realmente não tem nenhuma idéia de para onde ele pode ter ido?
- Não.
- Ele nunca comentou sobre nenhum lugar, nem onde mora, nem...
- Não, não, nunca. Nunca comigo. Mas quem sabe a Maria saiba de alguma coisa.
Bruno agradeceu ao garçom e foi falar com a garçonete.
- O Will? Bem, ele falou alguma coisa sobre o interior de São Paulo, mas não tenho certeza se ele ia pra lá.
- Mas você acha que ele tinha dinheiro suficiente pra fazer essa viagem?
A garçonete riu.
- Como eu vou saber?
- O tempo que ele trabalhou aqui dava pra ele juntar dinheiro pra fazer uma viagem?
- Não, acho que não. Agora eu tenho que trabalhar, por favor.
- Uma última pergunta: você sabe onde ele mora?
- Já procurou na lista telefônica?
Ela largou Bruno para ir atender um cliente. Ele ficou desanimado. Demoraria muito mais tempo para localizá-lo novamente.
Mas sua sorte começou a mudar. Se não acreditava em sorte, a partir daquele momento passou a acreditar. Quando olhou para um lado, assustou-se ao ver o jovem de rosto comprido e cabelo curto vindo em sua direção.
- Me disseram que você queria falar comigo... – disse Will, passando entre as mesas com toalhas verdes.
- Queria sim. – respondeu Bruno – Você se chama William, não é?
- É, me chamo.
Bruno hesitou por um momento. Conseguiu se aproximar de Thaís sem dizer quem realmente era, mas não sabia se conseguiria repetir o feito. Decidiu então ir pelo modo mais fácil.
- Olha, Will, eu estou procurando você porque acho que sei mais sobre você do que você mesmo.
- O que você quer dizer?
- Já tem uns três meses que aconteceram algumas coisas, mas você não deve se lembrar nem disso nem de nada antes disso.
Houve uma mudança sutil na expressão de Will, demonstrando interesse.
- Quem é você?
- Me chamo Bruno. Mas talvez... – ele abaixou a voz - ...você reconheça o nome Ray.
Bruno pensou em contar à ele ali mesmo, ou chamá-lo para um lugar mais discreto, mas decidiu continuar com o plano inicial. Pegou um guardanapo e retirou uma caneta do bolso. Anotou o endereço do bar onde Gabriela trabalhava e o horário em que eles iriam se reunir. Entregou a Will.
- Apareça amanhã nesse local nesse horário. Vamos estar esperando você.
- Vamos?
- É. Nós. Vamos falar de coisas que te interessam.
Então foi embora, deixando Will ali, morrendo de curiosidade.
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O homem que estava na casa de Wings desceu do táxi em frente à clínica. Ela ficava num local afastado e pouco movimentado de São Paulo. Havia lixo espalhado na rua. A clínica não era tão nojenta. Tinha uma pintura marrom e uma porta de vidro fumê, mas estava descascando.
Ele usava a mesma roupa preta de antes. Empurrou a porta e entrou.
A clínica por dentro passava a mesma impressão que por fora. Havia uns bancos sem estofo e um balcão cheio de papéis, além de rachaduras nas paredes sujas. Não havia ninguém ali. O homem chamou para ver se aparecia alguém, cada vez mais alto, até que entrou por uma porta ao lado do balcão um homem de jaleco. Ele era um pouco flácido e tinha uma cara de parvo.
- Mas pra onde foi a Eugene? Gostava tanto dela... – disse o homem de jaleco.
- Que?
- Eugene, minha atendente gostosa. – ele riu.
- Deve ter fugido de você.
- É, pode ser... E você, quem é? Senhor Souza, é você?
- Não! Estou tendo que fazer umas coisas junto com o Shaddai.
- Afro Wings?
- Isso. Então eu vim ver como são as coisas aqui na sua clínica e fazer um relatório... e a primeira impressão não foi boa.
O homem de jaleco fechou a cara.
- Você ainda não disse quem é você. – disse ele.
- Eu me chamo Raul Repulsa. – disse o homem de preto – Você é A. J. Einswolf, não é?
- Sou, Repulsa. Mas o Wings já sabe o que eu faço aqui.
- Sabe o que você faz, mas não como faz.
Uma idéia iluminou o rosto de Einswolf.
- Estou com uma turma pra operar agora, você não quer ver?
- Quero, mas você faz operações em grupo?
- Nem sempre. Vem cá.
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Já era noite. Bruno e Thiago estavam conversando no hotel, deitados cada um em sua cama.
- Agora só falta um... – comentou Thiago, suspirando em seguida.
- Eu não inventei nenhuma história para o Will. – disse Bruno – Acho que foi melhor assim.
- É, eu também não inventei nada hoje na mansão.
Bruno virou-se e olhou para Thiago.
- Você não devia ter mudado o plano sem falar comigo.
- Mas você mudou também!
- Acontece que o líder aqui sou eu e se você quiser continuar sendo meu assistente deve seguir as minhas ordens.
- Calma, não aconteceu nada...
- Não aconteceu nada agora, mas um dia pode acontecer se você continuar resolvendo agir por conta própria.
- Você está se preocupando de mais por nada. Eu nunca ia fazer alguma coisa sem seu consentimento se não tivesse certeza que não tinha nenhum problema.
Bruno parou de olhar para ele e se largou na cama, suspirando.
Pouco depois Thiago disse:
- Você não pensou na possibilidade de alguém não aparecer amanhã? Não tá muito em cima?
- Não tá não. E eu já pensei sim. Conversamos com quem vier. Os outros a gente procura mais tarde. É melhor reunir todos do que falar com eles um por um.
- Sei, sei, você já disse isso. Mas e o lugar? Não podia ser outro? Aquele bar não parecia um lugar muito discreto e às sete deve ter bastante gente.
- Confie em mim. – disse Bruno simplesmente.
- Tá...
No dia seguinte Thiago e Bruno almoçaram cedo e saíram logo em seguida. Chegaram à frente de um prédio vermelho de quatro andares e esperaram um pouco até ele sair.
Era negro, tinha os cabelos curtos e usava um boné. Também deveria estar na faixa de idade deles. Assim que saiu de lá foi abordado pelos dois.
- Boa tarde. – começou Bruno – Guilherme?
- Sim, sou eu. – respondeu o rapaz - Quem são vocês?
Bruno olhou para Thiago, que compreendeu a mensagem, e perguntou num tom simples:
- Escuta, você está com uma sacola cheia de dinheiro?
O ar ficou pesado. Guilherme ficou alerta.
- Quem são vocês? – perguntou Guilherme novamente.
- Eu sou Bruno e esse é Thiago, mas isso não muda nada agora. Nós sabemos que você achou essa sacola quando acordou e que você não se lembra de onde ela saiu.
- Nem de onde
você saiu. – completou Thiago.
- E vocês sabem então? – disse ele, incrédulo.
- Sim. – respondeu Bruno – Ela é sua. Quer dizer, ela é nossa.
- Quê?
- Nós estamos dispostos a explicar tudo, hoje às sete, aqui. – Thiago entregou um papel com o endereço para Guilherme.
- Agora nós temos que ir. Até breve. – disse Bruno.
Os dois foram saindo, mas Guilherme chamou-os de volta.
- Ei, vocês vão embora desse jeito?
Eles pararam e se viraram para olhá-lo.
- O que vocês querem afinal?
- Nós vamos explicar tudo hoje... – começou Bruno, mas foi interrompido.
- Hoje às sete? Vão mesmo?
- Você não tem que cuidar do seu negócio? – perguntou Thiago.
- O quanto vocês sabem sobre mim? E se esse encontro for uma armadilha?
Silêncio. Thiago e Bruno se olharam. O último se virou para Guilherme e disse:
- A gente não vai fazer nada durante a tarde mesmo, então podemos conversar agora. Mas não aqui. Vamos para o bar.
Guilherme foi, um pouco com o pé atrás.
Um tempo depois os três chegaram ao bar. Gabriela não estava lá. Bruno se dirigiu ao homem no balcão.
- Com licença, a Gabriela não veio trabalhar hoje?
- Ela devia ter vindo, mas não apareceu. Ninguém atende o telefone...
Bruno se virou para Thiago, bravo.
- O que você disse à ela?
- Espera... – o homem interrompeu – Você... RAY!
- Psiu, fala baixo! – disse Bruno, abaixando o tom – Mas que bom que reconheceu! Tava demorando, hein!
O homem estava sorrindo.
- Ray, Ray, o velho Ray... veio recrutar a Gabriela?
- Na verdade ela já estava recrutada... é uma longa história que eu conto depois. Mas então, posso usar a sala aí no fundo?
- Claro, claro, Ray. Pode entrar.
- Gostaria também de fazer uma reunião às sete horas hoje, tudo bem?
- Sem problemas. Se precisar de qualquer coisa, pode contar comigo.
- Obrigado. Eu sei que posso. – concluiu ele, sorrindo.
Então os três se dirigiram por uma porta no fundo do bar até uma sala escura, onde havia uns móveis empoeirados. Uns sofás rasgados, uns assentos.
- Você deixa tudo pra última hora mesmo. – comentou Thiago.
Bruno pegou algumas coisa num canto e acendeu uma vela.
- Vamos começar então.
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Bruno e Thiago voltaram para o bar às seis e meia. Gabriela estava lá. Encostada no balcão conversando com o homem.
- Ela não estava passando bem. Já conversamos. – disse o homem do balcão.
Ela não disse nada. Bruno pediu que eles mandassem as pessoas entrarem quando fossem chegando e foi com Thiago para a sala, onde se sentaram em um sofá e esperaram.
A primeira foi Thaís.
- Que lugar sujo e escuro! Por que a gente não fica lá fora? Ah, oi, Bruno. Oi...
- Thiago.
- Oi, Thiago. E então, sua mãe gostou das flores, Bruno?
- Na verdade eu não vejo minha mãe há muito tempo...
- Ah, então você mandou as flores pra tentar se aproximar dela? Que fofo...
- Não. Eu nem precisava ter comprado elas. Não vou mandar pra ninguém.
- Então... você me enganou? – Thaís recuou.
- Eu só menti sobre isso. Todo o resto que eu disse era verdade. Eu realmente penso tudo aquilo. – eles se olharam por um instante – Mas vamos direto ao assunto. Nós vamos nos reunir nesta noite com outras pessoas para falar sobre o que diz respeito a todos nós. Você não se lembra desse momento, se lembra?
Bruno retirou uma foto do bolso e mostrou para Thaís, que se assustou. Em seguida ele recolheu a foto.
- Vou explicar mais tarde.
Thaís olhou um tempo para ele, depois recuou para a porta.
- Vou ficar lá fora, é mais arejado...
Ela saiu. Após um momento de silêncio, Thiago se dirigiu a Bruno.
- Você cantou a Hina?
Ele olhou-o assustado.
- Não! De onde você tirou essa idéia?
- Ah, esquece.
Os outros foram chegando e, por fim, estavam todos reunidos na sala escura, cheia de velas que Thiago acendeu. Bruno começou.
- Vocês se lembram bem de tudo o que viveram até três meses atrás?
Todos assentiram.
- Mas e antes disso?
Bruno olhou-os, esperando. Então Will disse:
- Bom, eu tenho a noção de mundo, sei como as coisas são, mas não lembro de nada do que eu vivi.
- Foi o que eu falei hoje de tarde. – disse Guilherme.
Os outros concordaram.
- Não é bem assim. – disse Rodrigo – Eu lembro de algumas coisas.
- Deve ser por que você viu fotos na mansão. – sugeriu Thiago.
- Talvez.
- Quem sabe... – disse Bruno, mexendo no bolso - ...se vocês verem essa foto.
Ele mostrou a todos, surpreendendo-os. Todos eles, Gabriela, Will, Guilherme, Rodrigo, Thaís, Bruno e Thiago, juntos, no que parecia ser uma fazenda, com grama por todo o chão e uma árvore ao fundo.
- Eu já estive nesse lugar antes, tenho certeza! – disse Gabriela.
- Pensando bem, eu me lembro dessa roupa. – disse Thaís – Eu já usei, posso dizer como ela é, mas não sei onde está...
- Agora eu estou lembrando de uma cena... eu estava correndo, não sei pra onde... – disse Will.
- Foi o que aconteceu comigo hoje quando vi a foto. – disse Guilherme – Eu comecei a lembrar de várias coisas...
- Agora a memória de vocês é como um amontoado de lembranças soltas. – disse Bruno – Como uma colcha de retalhos. O que nós vamos tentar daqui pra frente é fazer vocês se lembrarem de tudo.
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Foi mesmo muito cansativo escrever esse capítulo, então se vocês não gostarem eu vou chorar. ç_ç
Eu escolhi apresentar um por um individualmente antes pra não jogar todos os personagens de uma vez. A personalidade de cada um dos mocinhos acho que ficou definida, apesar de eu ter ficado inseguro quanto ao Will, acho que por a gente não se falar tanto. Mas eu acredito que vocês vão aprovar. O que eu achei mais difícil foi a descrição física, e eu espero não ter feito alguma coisa errada. Eu, aliás, tinha o Will adicionado no orkut e nem lembrava. =P Não gosto muito do orkut.
As cenas não demoraram muito pra serem elaboradas, mas elas exigiram um esforço. Eu tinha que criar cinco cenas que eram praticamente a mesma: o Wea ou o Ray chegavam e chamavam a pessoa X pra reunião. E eu tinha que fazer isso sem ficar cansativo. Eu não sabia como continuar a cena da Hina, então cortei no meio e não continuei, pensando em dar uma participação maior pra ela no final. Quando chegou a última cena dessa série, a do Blaze, eu tive que esquecer completamente da fic por um tempo até voltar e escrever.
As do Wea e do Ray conversando foram tranqüilas. Mas as que eu mais gostei de escrever foram as dos vilões, porque eles já estavam na ação enquanto os heróis estavam mais atrasados. Todos ficaram como eu queria, mas tenho a nítida impressão de que o Raul ficou estranho. Bom, ele estava cercado de pessoas que não gostava, então talvez esse seja o motivo...
É isso. Entendam qua não dá pra todo mundo aparecer no primeiro capítulo. Vai ser muito difícil trazer um capítulo por semana. Não esperem por novidades tão cedo. Abraço a todos.